
Ir. Consolação de Matos, FI (Ir. Consola)
Toda a existência de Jesus foi pautada por cruzes, tentações, alegria, companhia, amigos e inimigos… É parte da condição humana viver essas dimensões. O convite é vivermos com olhos pascais, ou seja, buscando e encontrando o Deus da vida em todas as coisas e circunstâncias. E daí, brota a alegria! Aquela alegria que nos vem da graça pedida: “de me alegrar intensamente por tanta glória e gozo de Cristo…” (EE 221).
Na quarta semana dos Exercícios, dedicada à Ressurreição, podemos compreender que a “alegria é uma expressão profunda do ser: em bondade, em verdade, em beleza. A alegria é uma grafia do espírito que nos abeira do milagre e que se traduz tanto pela quietude como pelo riso, tanto pelo silêncio como pelo canto, tanto pela presença a si mesmo como pelo entusiasmo partilhado… Dias sem alegria são aqueles completamente sem memória, quando o coração não se abriu ao vivido… Frequentemente, um sofrimento deve escavar primeiro em nós a profundidade que depois a alegria irá encher” (Libertar o tempo – J. Tolentino Mendonça).
Em Santo Inácio, o ressuscitado expressa sua alegria no ofício concreto de Consolar: aliviar, animar, confortar, erguer as pessoas do seu lugar de paralisia, angústia e levá-los a ter olhos novos, irradiar a alegria de ser parte do círculo de amor que eles compõem.
1. A aparição a Maria, sua mãe (EE 220)
- Santo Inácio contempla Jesus respondendo com Amor filial ao Pai e também à Mãe. Jesus expressa sua gratidão e confirma que depois desta vida continuará amando aquela que é carne de sua carne. Nem a morte pode separá-los!
- Conforme São Paulo, para além dos discípulos, Jesus apareceu a mais de 500 pessoas (1Cor 15,6), então certamente apareceria à sua própria mãe. Essa sensibilidade intui que a ressurreição unifica, comunga na Trindade Santa a todos os que estiveram sob a Bandeira de Cristo. Após a Ressurreição, Deus continua tendo os sentimentos humanos. Resgata o que foi separado e devolve a alegria àquela que o acompanhou nos momentos de dor. Deus ama o ser humano e ama Ser Humano.
2. O ofício de consolar é próprio de Cristo nosso Senhor (EE 221)
“O Cristo ressuscitado consola à maneira como os amigos costumam consolar-se uns aos outros”.
– O Ressuscitado é o Crucificado e não outro; na Paixão, contemplamos Cristo sofredor; na Ressurreição, contemplamos Cristo consolador. Vem confirmar o compromisso do “Rei Eterno” (EE.95), “… trabalhar comigo, a fim de que, seguindo-me nos trabalhos, acompanhe-me também na glória”.
A consolação, para Inácio, não é mero sentimento agradável, mas aumento de fé, esperança firme, amor que se expande, paz profunda mesmo nas provações (EE 315-316).
A Ressurreição, então, é experimentada como consolação que ordena o coração. O efeito da consolação ou da experiência de Ressurreição é a “alegria”, paz, estabilidade na fidelidade de Deus Pai e seu amor. A alegria que Inácio nos fala aparece muitas vezes vinculada à Ressurreição, e a graça pedida é uma participação no “estado de alma” de Cristo, feliz pela saída da morte e tomado, em sua natureza humana, pela divindade e pela glória.
Conclusão:
Para a alegria e a esperança não acabar, temos algumas dicas para cultivar a arte de ver novas todas as coisas no cotidiano:
– Jesus Ressuscitado é a referência para que encontremos o sentido de nossa vida;
– Rezar Cristo Ressuscitado, caminhando silenciosamente ao teu lado, como amigo que
já venceu a morte e que olha para ti não com reprovação, mas com alegria.
– Contemplar como Cristo aparece, como consola, da maneira que amigo fala com amigo.
– Participar de grupos que buscam essa mesma vibração, porque caminhando em
comunidade é muito melhor.
A Ressurreição não é um espetáculo de glória distante, mas um encontro pessoal. O Senhor da Vida caminha conosco!
O sofrimento não é o fim da história! A esperança pode renascer!



