
O superior geral Arturo Sosa, SJ, convocou a 72ª Congregação de Procuradores, que reunirá representantes de toda a Companhia de Jesus, na Indonésia, em outubro de 2027. O encontro examinará como as estruturas da Companhia devem ser reformadas para cumprir sua missão e votará sobre a convocação de uma Congregação Geral, o órgão máximo de governo da ordem.
“A Companhia de Jesus continua a viver o processo de se deixar guiar pelo Espírito Santo”, escreve o Padre Sosa em carta aos superiores maiores, “a fim de responder melhor ao mandato na missão de reconciliação e justiça”.
O encontro terá início na tarde de 11 de outubro de 2027 e deverá durar aproximadamente seis dias. Os delegados são convidados a chegar antes de 06 de outubro para um retiro em grupo, que o Padre Sosa descreve como um período para “examinar mais profundamente os sinais com que o Espírito Santo está guiando a Companhia” antes do início das deliberações.
A última Congregação de Procuradores realizou-se em Loyola (Espanha), em 2013, e antes disso em Nairobi (Quênia), em 2012. O encontro na Indonésia, país com a maior população muçulmana do mundo, dá continuidade a esta tendência global: situa este momento de discernimento numa região onde a Igreja está a crescer e onde viver e trabalhar numa sociedade ricamente diversa e multiconfessional é uma realidade quotidiana.
Em preparação para a assembleia, cada província jesuíta realizará uma reunião para eleger um procurador e avaliar o estado da vida e da missão jesuíta em seu contexto; regiões e missões, que não são províncias por direito próprio, nomearão um relator para o mesmo fim. Os procuradores e relatores eleitos deverão apresentar seus relatórios à Cúria Jesuíta até 1º de março de 2027.
Desde receber uma missão até se organizar para executá-la
Desde a 36ª Congregação Gera, em 2016, a Companhia tem trabalhado para esclarecer onde é chamada a servir e como deve se organizar para fazê-lo. Em seu decreto sobre governança, essa congregação identificou o discernimento, a colaboração e o trabalho em rede como as lentes pelas quais a Companhia deve examinar sua governança, observando que “a atenção a essas perspectivas ajuda a moldar a governança, tornando-a mais flexível e apostolicamente mais eficaz”.
Nos anos que se seguiram, este trabalho prosseguiu por meio das Preferências Apostólicas Universais (2019-2029), prioridades globais que emergiram de um processo de discernimento de dois anos em toda a Companhia de Jesus, confirmadas pelo Papa Francisco e reafirmadas pelo Papa Leão XIV. Estas têm guiado a vida e o trabalho dos jesuítas em todo o mundo: mostrando o caminho para Deus por meio dos Exercícios Espirituais e do discernimento, caminhando ao lado dos pobres e excluídos, acompanhando os jovens e cuidando da nossa casa comum.
Após delinear essas prioridades, o Padre Sosa agora se concentra no que precisa mudar na organização da Companhia para cumprir sua missão, apelando para “a adaptação de suas formas de governança apostólica e a necessária renovação dos apostolados”.
Para fundamentar esta reflexão, os delegados eleitos pelas suas províncias são convidados a visitar as comunidades e obras apostólicas da sua região e a relatar as suas observações, prestando especial atenção à forma como estas três perspetivas moldam o trabalho da Companhia na prática, em todos os seus ministérios, incluindo escolas e universidades, o trabalho com refugiados, as paróquias e casas de retiro, bem como a comunicação, a investigação e o diálogo inter-religioso. Este modelo de visitas locais e de escuta prévia à reunião para deliberação tem sido, há muito, parte do procedimento da Companhia perante a Congregação dos Procuradores e reflete a abordagem sinodal que se tornou central para a renovação da Igreja Católica.
Sinodalidade, colaboração e inclusão
A sinodalidade — uma forma de proceder marcada pela escuta e pela responsabilidade partilhada — foi fundamental para o pontificado do Papa Francisco. O Papa Leão XIV deixou claro que continua a ser uma prioridade do seu papado, apelando a estruturas e ministérios mais ágeis, transparentes, inclusivos e responsáveis, sensíveis ao Evangelho.
O padre Sosa acolhe este apelo no seio da vida da Companhia de Jesus, perguntando na sua carta de convocação da congregação: “Como vivemos a sinodalidade na Companhia e como podemos contribuir para o crescimento de uma Igreja sinodal?”
O texto também levanta questões específicas sobre como a responsabilidade é compartilhada na Companhia, incluindo o que significa, na prática, compartilhar a missão com colaboradores leigos, perguntando: “Qual é a contribuição específica da colaboração das mulheres para a missão de vida da Companhia de Jesus?” e “Como estamos integrando a participação de crentes de outras religiões ou não crentes nos apostolados da Companhia?”
O que é uma Congregação de Procuradores?
A Congregação dos Procuradores foi instituída em 1565 como forma de a Companhia de Jesus refletir em conjunto, a nível global, entre as suas assembleias gerais. Reúne-se a cada quatro anos e a sua principal função é aconselhar o superior geral sobre a necessidade de convocar uma Congregação Geral.
Para este encontro, cada província jesuíta elege um procurador — um jesuíta escolhido para representar seus companheiros jesuítas — que visita as comunidades e as obras apostólicas e relata suas observações. Regiões e missões que não são províncias plenas nomeiam representantes que participam e relatam, mas não votam.
A congregação não pode tomar decisões vinculativas para toda a Companhia, mas aconselha o superior geral sobre o estado da Companhia e vota na convocação da Congregação Geral, o órgão máximo de governo da Companhia e a única assembleia com autoridade para eleger um novo superior geral. O Padre Sosa convidou os jesuítas e todos aqueles que compartilham sua missão a acompanhar o processo em oração, confiando em “Deus, que ressuscitou Jesus, o crucificado e ressuscitado, que nos convida a ser seus companheiros na vida e na missão”.
Fonte: Jesuits Global



