Participantes do Amazonas, Pará, Rondônia, Tocantins, Maranhão e Rio Grande do Norte estiveram reunidos, entre os meses de março e abril, para o Curso de Extensão em Direito Humano à Água na Amazônia, iniciativa promovida pelo Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (Sares) em parceria com a Faculdade Católica do Amazonas. A formação aconteceu online e trouxe reflexões sobre o acesso à água como direito fundamental e sua centralidade na vida dos povos amazônicos.
Ao todo, cerca de 40 pessoas participaram do curso, entre lideranças comunitárias, educadores populares, estudantes, integrantes de movimentos sociais e representantes de organizações da sociedade civil, além de professores parceiros que atuam junto ao Sares há mais de quatro anos. A proposta formativa integrou conteúdos teóricos e práticos, abordando temas como o direito humano à água, a realidade da água na Pan-Amazônia, a dimensão feminina da água, as águas da ancestralidade dos povos originários e os debates sobre direito da natureza, justiça ambiental e proteção da água.
A cerimônia de encerramento foi marcada por um momento de partilha dos aprendizados e apresentação dos trabalhos finais elaborados pelos participantes. Organizados em grupos por região, os cursistas socializaram reflexões e experiências de cuidado com a água, evidenciando o compromisso com a defesa desse direito em seus territórios. O momento também contou com falas de agradecimento das equipes do Sares e da Faculdade Católica do Amazonas, além de uma avaliação do percurso formativo e da reafirmação da importância da articulação em rede na luta por justiça climática e socioambiental na Amazônia. “A participação no curso foi muito relevante, tanto na formação quanto no fortalecimento do compromisso social. A água não é apenas um recurso, mas elemento essencial à vida, ao território e à continuidade dos povos, o que exige reconhecer sua centralidade e garantir esse direito”, afirmou o professor Felipe Gabriel.
A professora Marineide Maria da Silva, coordenadora do Programa Mandala – Horta Agroecológica de Ressocialização Pena, destacou o impacto do curso em sua prática. “Reforcei o conceito que eu já tinha em relação à utilização consciente da água, tanto em meu ambiente de trabalho quanto em minha comunidade. Foi um curso muito rico em informações, trocas e aprendizagem”. O professor Johnny Giffoni enfatizou a importância da formação para os territórios amazônicos. “Me sinto honrado em ter participado como facilitador. Foi muito significativo encontrar alunas de territórios do Projeto de Assentamento Agroextrativista-PAE Charapucu, no município de Afuá (Marajó), Arquipélago do Marajó, que vivem diversas ameaças. Iniciativas como essa fortalecem estratégias de defesa territorial e ampliam o acesso a formações de qualidade, adequadas à realidade amazônica”, explicou.
Mary Nelys Silva de Almeida. analista social do Sares, recorda que desde 2022, quando curso teve início, já foram mais de 200 alunos formados. “O intuito do Sares com esse curso é inspirado no princípio da sinodalidade. Ele propõe um caminho de escuta, diálogo e participação coletiva, em que diferentes saberes — acadêmicos, populares e ancestrais — se encontram para construir uma compreensão integral do direito à água. Sentimos que esta iniciativa tem sido uma fonte de esperança e fortalecimento de lutas para os/as participantes, colaborando para que se visibilizem iniciativas territoriais que já desempenham um trabalho significativo no cuidado e defesa da água desde as suas realidades locais. Nesse contante amazonizar, temos como horizonte expandir cada vez mais o curso para outros âmbitos (nacional e internacional). Somos gratos por tamanha dedicação e compromisso, tanto dos nossos alunos(as) como dos nossos parceiros”.



