A Rede Jesuíta de Justiça Socioambiental (RJSA) concluiu, na manhã da última sexta-feira, 03 de julho, a primeira edição dos Seminários de Formação em Rede. O terceiro e último encontro do ciclo reuniu o Pe. Roberto Jaramillo, SJ, do Secretariado para a Justiça Social e Ecologia da Cúria Geral da Companhia de Jesus, para aprofundar a identidade das redes jesuítas a partir do modo de proceder, expressão central da espiritualidade inaciana que orienta o que se faz, como se faz e por que se faz. A moderação foi do Pe. Jerfferson Amorim, SJ, assessor da RJSA.
Na abertura, o Pe. Jean Fábio Santana, SJ, secretário para a Justiça Socioambiental da Província dos Jesuítas do Brasil, situou os seminários no processo de fortalecimento institucional da RJSA iniciado nos últimos anos. Segundo ele, o ciclo nasceu a partir das reflexões conduzidas pelo grupo de trabalho responsável por repensar o lugar dos Centros Sociais na missão da Companhia de Jesus no Brasil. “Esse grupo de trabalho entendeu a necessidade de aprofundar esses temas, que foram transformados nesses três seminários, justamente para um aprofundamento mais compartilhado, ampliado, com outros e outras que realmente compõem conosco essa rede”.
Ao longo de três encontros, os Seminários de Formação em Rede abordaram a história do apostolado social jesuíta, os desafios das ações socioassistenciais no contexto das políticas públicas brasileiras e, por fim, os fundamentos que sustentam a atuação em rede.
O modo de proceder como identidade
Ao apresentar o conferencista, o Pe. Jerfferson Amorim, SJ, recordou que, em setembro de 2025, o Superior Geral da Companhia de Jesus, Pe. Arturo Sosa, SJ, aprovou o documento da Rede Global Inaciana de Advocacy, que apresenta uma rede jesuíta como “um modo de proceder apostólico que permite uma melhor colaboração a serviço da missão universal da Companhia de Jesus”. A referência serviu como ponto de partida para a conferência de Pe. Roberto Jaramillo, SJ.
Ao desenvolver o tema, o jesuíta colombiano destacou que uma rede jesuíta não pode ser compreendida apenas como uma estrutura de colaboração entre instituições. Trata-se de uma maneira de viver a missão, inspirada pela espiritualidade inaciana, que integra discernimento, colaboração e compromisso apostólico. Segundo ele, trabalhar em rede exige uma mudança de mentalidade. Mais do que estabelecer conexões entre organizações, significa construir relações capazes de construir respostas comuns para desafios que nenhuma instituição consegue enfrentar sozinha.
Um sujeito apostólico coletivo
Durante a conferência, Pe. Roberto distinguiu diferentes formas de articulação entre organizações. Algumas redes favorecem o intercâmbio de experiências e o apoio mútuo. Outras alcançam um nível mais profundo de colaboração, no qual diferentes obras passam a atuar como um sujeito apostólico coletivo, colocando capacidades, recursos e experiências a serviço de uma missão comum. Essa compreensão amplia o alcance do trabalho desenvolvido pelas obras da Companhia de Jesus. Em vez de cada instituição responder isoladamente às demandas do seu território, a atuação em rede permite integrar saberes, compartilhar responsabilidades e construir respostas mais abrangentes para questões sociais e ambientais complexas.
O conferencista lembrou que acompanhar comunidades, servir, pesquisar, sensibilizar e promover incidência pública fazem parte de um mesmo ciclo da missão. Nenhuma obra reúne, sozinha, todas essas competências. É justamente a colaboração entre diferentes instituições que torna possível responder de forma mais completa às necessidades dos territórios e das populações acompanhadas.
Redes que fortalecem a missão
Outro aspecto destacado foi a compreensão das redes como espaços vivos de discernimento e corresponsabilidade. Para Pe. Roberto, elas não substituem as instituições nem representam um novo nível burocrático de organização. Ao contrário, fortalecem cada obra ao criar condições para que todas contribuam com seus dons específicos em favor da missão comum. Essa dinâmica exige também uma nova compreensão da liderança. Em vez de estruturas excessivamente centralizadas, o conferencista defendeu um modo de governança marcado pela escuta, pela confiança e pelo discernimento compartilhado. Como sintetizou durante o seminário, quem anima uma rede precisa cultivar “olhos grandes para contemplar a realidade, orelhas grandes para escutar e boca pequena para falar apenas o necessário”.
Ao relacionar essa forma de organização às preferências apostólicas universais da Companhia de Jesus, Pe. Roberto mostrou como as redes possibilitam articular experiências locais e iniciativas globais em áreas como ecologia integral, migrações forçadas, direito à educação e defesa dos direitos de povos e comunidades em situação de vulnerabilidade.
Formação permanente para fortalecer a rede
Com o encerramento da primeira edição dos Seminários de Formação em Rede, a RJSA consolida um espaço de formação voltado ao fortalecimento de sua identidade apostólica e da atuação articulada de suas obras. Ao reunir jesuítas, colaboradores, colaboradoras e parceiros da missão em torno de temas importantes, o ciclo reforçou que a promoção da justiça socioambiental exige formação permanente, discernimento comunitário e colaboração entre pessoas, obras e territórios.
Mais do que concluir uma série de encontros, o terceiro seminário reafirmou que o trabalho em rede constitui uma forma própria de viver a missão da Companhia de Jesus. Um modo de proceder que encontra unidade na espiritualidade inaciana e fortalece o compromisso comum com a fé que promove a justiça.



