Entre os dias 02 e 16 de agosto, cerca de 30 pessoas participaram de uma expedição do Projeto Flora, em Maués (AM). O grupo reuniu voluntários espanhóis ligados ao projeto, professores da Escola Técnica de Eletrônica Francisco Moreira da Costa (ETE FMC), integrante da Rede Jesuíta de Educação Básica (RJE), membros da Equipe Itinerante e da Pastoral da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, de Maués.
Durante a missão, a equipe visitou 14 comunidades indígenas e ribeirinhas, realizando instalações, manutenções e levantamentos para futuras ações. Entre os dias 06 e 11 de agosto, a expedição também compartilhou atividades com a Associação Humanitária de Universitários em Defesa da Vida (Univida), que presta atendimento de saúde a pessoas com acesso restrito aos serviços públicos.
Projeto Flora: energia e cuidado
O Projeto Flora atua em comunidades indígenas e ribeirinhas de Maués com iniciativas voltadas ao acesso à energia renovável. O trabalho envolve a instalação e manutenção de sistemas fotovoltaicos, além da formação de moradores para acompanhar e realizar a manutenção dos equipamentos, fortalecendo a autonomia das comunidades e a continuidade das ações.
A iniciativa reúne parceiros do Brasil e da Espanha e mantém articulação com instituições ligadas à Companhia de Jesus. No Brasil, essa rede envolve a RJE, por meio da ETE FMC, a Equipe Itinerante e o Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (Sares). A cooperação entre os parceiros também possibilita o intercâmbio de conhecimentos e experiências, aproximando diferentes realidades em torno do cuidado com as comunidades e com o território.
Energia que transforma
Durante a expedição, foram instaladas duas usinas fotovoltaicas: uma na comunidade Sateré-Mawé da Terra Indígena Andirá-Marau e outra em uma comunidade ribeirinha de Maués.
A equipe também realizou a manutenção de duas usinas já existentes. Em uma das comunidades, a situação era especialmente crítica: os moradores estavam há meses sem água potável porque a bomba responsável pelo abastecimento estava sem funcionar. Com o reparo, a usina voltou a energizar a bomba e o abastecimento de água foi retomado.
Além dos trabalhos técnicos, a equipe visitou comunidades candidatas a receber usinas nos próximos anos. Os levantamentos realizados contribuirão para o planejamento das futuras instalações e para aprimorar a capacitação das pessoas responsáveis pela manutenção dos sistemas.
Intercâmbio
Para Alexandre Barbosa, diretor-geral da ETE FMC, a experiência foi marcada não apenas pelos resultados técnicos, mas também pelo aprendizado proporcionado pelo contato com as comunidades. “Levamos conhecimento e tecnologia, mas também aprendemos com as comunidades, suas histórias, sua força, sua sabedoria e sua forma de cuidar do território”, destacou.
A convivência entre voluntários espanhóis, educadores, agentes pastorais, integrantes da Equipe Itinerante e moradores também possibilitou a troca de costumes e experiências. Para Alexandre, essa dimensão está no centro do sentido da missão: “Por que levar energia? Queremos levar presença, esperança e cuidar.”
Ao concluir a expedição, Alexandre destacou ainda que a experiência reforçou uma compreensão essencial sobre o serviço na Amazônia: “servir também é ouvir, aprender e caminhar juntos”.






