
A mineração está presente em quase todos os continentes, e em muitos desses territórios a Igreja está perto das comunidades afetadas. Acompanha famílias, defende direitos e ajuda a mediar conflitos. Para organizar esse conhecimento e transformá-lo em orientação prática nasceu o projeto Catholic Approaches to Mining (Abordagens Católicas à Mineração). A iniciativa é da Catholic Peacebuilding Network, da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos, com o Laudato Si’ Research Institute, instituto jesuíta da Universidade de Oxford, no Reino Unido.
O projeto apresenta orientações para reflexão, planejamento e ação, fundamentadas na Doutrina Social da Igreja, na construção da paz e no desenvolvimento humano integral. O Observatório Nacional de Justiça Socioambiental Luciano Mendes de Almeida (Olma), obra integrante da Rede Jesuíta de Justiça Socioambiental (RJSA), participa da parceria e ficou responsável pela parte brasileira do estudo.
Uma referência para a Igreja no mundo
Segundo Luiz Felipe Lacerda, secretário executivo do Olma, o projeto nasceu com o objetivo de “apoiar comunidades e instituições católicas diante dos impactos da mineração”. Esse trabalho resultou em dois documentos de referência, ambos em inglês. O primeiro é o guia Catholic Approaches to Mining: A Framework for Reflection, Planning, and Action, que traz uma base para paróquias, dioceses, pastorais e organizações sociais discernirem como agir em seus territórios. O segundo é o policy brief Standing with the Vulnerable: Catholic Accompaniment of Mining-Affected Communities, sobre o acompanhamento das comunidades atingidas.
Luiz destaca que o acompanhamento dessas populações está no centro da proposta, com atenção especial às comunidades tradicionais e às pessoas em situação de vulnerabilidade.
Estudos de caso de três continentes
Os estudos de caso dão ao projeto um caráter prático. São oito experiências em comunidades do Peru, do Chile, da Colômbia, da Nicarágua, da República Democrática do Congo, das Filipinas e do Brasil. Em cada uma, a Igreja local enfrentou um empreendimento minerário com estratégias próprias de defesa dos direitos humanos, proteção ambiental e fortalecimento comunitário.
“É um projeto bem importante porque tem um impacto internacional”, afirma o secretário executivo do Olma. Para ele, colocar realidades tão diferentes lado a lado ajuda a perceber o que se repete nos conflitos e o que cada comunidade aprendeu ao enfrentá-los.
A contribuição do Olma
Luiz Felipe conta que a parceria com as duas universidades já tem história. A construção começou em agosto de 2025, com um seminário em Bogotá, na Colômbia, e continuou com textos e livros até chegar aos estudos de caso. Organizações ligadas à Igreja em vários países participaram desse percurso.
“A gente aqui do Olma foi responsável pela parte do Brasil”, conta Luiz. O caso escolhido foi o da mineradora canadense Belo Sun, que tem um projeto de extração de ouro na Volta Grande do Xingu, no Pará, perto da usina hidrelétrica de Belo Monte. O estudo registra a atuação da Igreja local, hoje Diocese do Xingu-Altamira, junto às comunidades da região. O empreendimento ainda é alvo de contestação.
Para Luiz, a contribuição brasileira ajuda o projeto no seu objetivo maior: colaborar para modelos de mineração mais responsáveis, que promovam “justiça socioambiental, cuidado da Casa Comum e proteção dos territórios e ecossistemas afetados”.
Conheça o projeto: https://cpn.nd.edu/research-and-learning/catholic-approaches-to-mining/



