A menos de duas semanas da 31ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31), que acontece de 09 a 20 de novembro em Antália, na Turquia, a Declaração e o Documento de Políticas da Campanha Jesuítas pela Justiça Climática 2026 estão disponíveis em português. A tradução foi feita por Diego Gomes Aguiar, coordenador de projetos sociais do Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (Sares), obra da Companhia de Jesus em Manaus (AM) que integra a Rede Jesuíta de Justiça Socioambiental (RJSA).
A campanha foi apresentada em abril pelo Secretariado para a Justiça Social e a Ecologia (SJES), em articulação com a Rede Global de Incidência Inaciana (Gian), e teve seus textos atualizados em julho, depois da sessão preparatória de Bonn. Na Província do Brasil, a campanha chegou em setembro, quando o portal Jesuítas Brasil noticiou o lançamento e o convite à assinatura. Até agora, a Declaração e o Documento de Políticas estavam disponíveis em espanhol, inglês e francês. Com a versão em português, jesuítas, colaboradoras, colaboradores, obras e comunidades da Província do Brasil podem ler a proposta na íntegra e levá-la a quem ainda não a conhece.
Dois documentos, um mesmo chamado
A Declaração é o texto curto que pessoas e instituições assinam, com os três apelos aos governos reunidos na COP31: uma transição energética justa, mais financiamento sem novas dívidas para os países mais afetados e sistemas alimentares baseados na soberania alimentar e na agroecologia.
O Documento de Políticas, até agora pouco conhecido no Brasil, explica as razões de cada apelo. Ele apresenta o funcionamento das conferências do clima, reúne dados e mostra o que avançou e o que ficou pendente em Belém.
O que os dados mostram
O documento lembra que 2023, 2024 e 2025 formaram o primeiro período de três anos com temperatura média acima do limite de 1,5 °C estabelecido pelo Acordo de Paris. Com as políticas atuais, o aquecimento global pode chegar a 2,8 °C.
Sobre a energia, propõe metas com prazos para deixar o carvão, o petróleo e o gás, com os países desenvolvidos à frente até 2040. Lembra que as terras de camponeses e povos indígenas guardam mais da metade dos minerais necessários para a energia limpa, e que essas comunidades precisam ser protegidas na transição.
Sobre o financiamento, aponta que mais de 3,3 bilhões de pessoas vivem em países que gastam mais com o pagamento de dívidas do que com saúde e educação. Por isso, defende recursos não reembolsáveis para a resposta ao clima.
Sobre a alimentação, mostra que os sistemas alimentares respondem por cerca de um terço das emissões de gases de efeito estufa, enquanto a agricultura e a alimentação recebem menos de 3% do financiamento público para o clima.
O que ficou de Belém
O Documento de Políticas reconhece conquistas da COP30, como o Mecanismo de Ação de Belém, que reuniu direitos humanos, direitos trabalhistas, igualdade de gênero e conhecimentos indígenas num mesmo marco, e o primeiro edital do Fundo de Resposta a Perdas e Danos, de 250 milhões de dólares. Também aponta o que ficou pendente: não houve acordo sobre um roteiro para deixar os combustíveis fósseis, e a palavra “alimentos” não apareceu no texto da decisão final.
Para o Papa Leão XIV, citado na Declaração, “é preciso passar da recolha de dados para a atenção aos cuidados; dos discursos ambientalistas para uma conversão ecológica que transforme o estilo de vida pessoal e comunitário”.
Como participar
A Declaração pode ser assinada em nome pessoal ou institucional na página da campanha. O documento em português também pode servir de base para conversas em grupos, comunidades, aulas e encontros de formação, ajudando a campanha a chegar a mais pessoas antes da COP31.
Assine a Declaração: giansj.org/jesuits-for-climate-justice-campaign-statement-and-policy-brief
Leia a Declaração e o Documento de Políticas em português (PDF)



