
Religiosos de diferentes congregações participaram de uma experiência missionária em Barcarena e em comunidades insulares da região, no Pará. Articulada pela Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) em Belém (PA), a iniciativa promoveu visitas às famílias, encontros com jovens, momentos de oração e atividades de animação vocacional.
A missão percorreu diferentes realidades do município, da zona rural às comunidades localizadas nas ilhas, reunindo diversos carismas da vida consagrada em uma experiência conjunta de presença e evangelização.
Um dos participantes foi o jovem Bruno Machado, candidato ao Noviciado da Companhia de Jesus. Para ele, a presença de diferentes congregações também foi um sinal da vida religiosa que se coloca a caminho e atua em comunhão.
“Fizemos essa missão com o grupo da CRB aqui de Belém, então tinham vários carismas. Nosso intuito foi passar o sábado todo fazendo visitas, encontros e rodas de conversa nas comunidades com os jovens e com as famílias”, relatou.
Missão começou na zona rural de Barcarena
A experiência teve início com a saída de Belém em direção à zona rural de Barcarena. A primeira parada foi em uma comunidade atendida pelo Centro Alternativo de Cultura (CAC), projeto mantido pelos jesuítas e voltado ao acompanhamento de crianças.
No local, os missionários participaram de atividades com as crianças e acompanharam a escolha de uma representante do grupo atendido pela iniciativa.
Após a programação, os participantes seguiram para a área urbana de Barcarena e para a Paróquia São Francisco Xavier. No início da noite, a missão continuou em direção às ilhas localizadas na região.
Os deslocamentos também fizeram parte da experiência. As distâncias e as dificuldades de acesso exigiram disponibilidade para chegar a comunidades que vivem realidades diferentes das encontradas nos grandes centros urbanos.

Escuta das famílias e diálogo com a juventude
Nas comunidades insulares, o sábado foi dedicado especialmente à escuta e à presença junto à população.
Pela manhã, foram realizadas rodas de conversa com jovens sobre vocação, projeto de vida e missão. Os religiosos apresentaram os diferentes carismas e provocaram os participantes a refletirem sobre o sentido que desejam dar à própria existência.
À tarde, os missionários percorreram as comunidades de casa em casa, visitando famílias, ouvindo suas histórias e partilhando momentos de oração.
Segundo Bruno Machado, que representou a Companhia de Jesus na atividade, a experiência não se resumiu ao anúncio feito pelos missionários. O contato com os moradores também se tornou uma experiência de evangelização para aqueles que chegaram às comunidades.
“Mais do que uma ação missionária que eu poderia realizar lá, eu fui evangelizado pelo contexto local, pela fé, pelas histórias de vida, pelas superações, por esse exemplo tão bonito de um povo devoto que encontramos nessas localidades.”
Machado destacou ainda a acolhida encontrada durante as visitas. “Podemos perceber um povo muito acolhedor, aberto, sobretudo esperançoso”, afirmou.
Diferentes carismas, uma mesma missão
A presença conjunta de religiosos e religiosas de diferentes congregações foi uma das marcas da iniciativa. A diversidade permitiu apresentar às comunidades, sobretudo aos jovens, diferentes maneiras de responder à vocação cristã e de colocar a própria vida a serviço dos outros.
A experiência ganhou uma dimensão especialmente vocacional no domingo, quando os participantes se reuniram na Matriz da Paróquia São Francisco Xavier para uma feira vocacional. Foram montados estandes para apresentar os diferentes carismas das congregações envolvidas na missão e dialogar com os jovens sobre discernimento e projeto de vida.
“Foi bonito poder ver uma juventude inquieta a respeito de um projeto de vida com missão no mundo, com um sentido vocacional mesmo, de realização pessoal”, relatou o candidato ao noviciado jesuíta.
Uma missão que também transforma quem é enviado
Para os participantes, atravessar rios, enfrentar dificuldades de deslocamento e entrar nas casas significou também deixar-se tocar pelas histórias encontradas pelo caminho.
Bruno afirmou ter retornado da experiência levando consigo os rostos, os sorrisos e as histórias das famílias visitadas. A missão, segundo ele, também aprofundou seu próprio processo de discernimento vocacional.
“Trago para mim a oração como um apelo vocacional a mim mesmo, de não ter medo de me lançar nas mãos desse Deus que é Pai e que nos manda para onde devemos estar e, ali, somar com os outros.”
Em preparação para ingressar no Noviciado, ele destacou ainda o significado de participar da experiência representando a Companhia de Jesus.
“Saio muito agradecido, enriquecido pelos sorrisos, pelos rostos e pelas famílias com quem pudemos conversar e conviver. Estou muito feliz por poder representar a Companhia de Jesus nessa missão, enquanto candidato ao Noviciado”, concluiu.
A experiência em Barcarena evidencia uma dimensão própria da vida religiosa: sair ao encontro das pessoas e dos territórios, compartilhando diferentes carismas em uma mesma missão e fazendo da escuta, da presença e do anúncio do Evangelho caminhos de proximidade com as comunidades.



