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Curso capacita voluntários para apoiar lutas indígenas em Manaus 

Nos dias 18 e 19 de agosto, foi realizado no Espaço Loyola, em Manaus (AM), o Curso de Formação de Agentes Voluntários para Apoio às Lutas Indígenas. A atividade reuniu cerca de 30 participantes dedicados a entender e contribuir com a realidade dos povos originários em contexto urbano. 

Idealizado em colaboração conjunta entre a Arquidiocese de Manaus, o Serviço Amazônico de Ação Reflexão e Educação Socioambiental (Sares), o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime), a Pastoral Indigenista de Manaus (Piama), a Comissão da Ecologia Integral, as Franciscanas Missionárias de Maria (FMM) e o Observatório de Direito Socioambiental e de Direitos Humanos da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), o curso teve como objetivo formar agentes voluntários dispostos a fortalecer as batalhas dos povos indígenas em Manaus e áreas circunvizinhas. 

De acordo com a ementa do curso, a necessidade urgente dessa iniciativa decorre do contínuo desrespeito aos direitos humanos básicos dos povos indígenas, além da aceleração de projetos de lei no Congresso Nacional que ameaçam reverter conquistas importantes dessas comunidades. Tais projetos buscam a revogação de direitos indígenas, incluindo a liberação de terras para atividades como mineração, exploração madeireira, agropecuária e obras de infraestrutura. Tendo em vista a magnitude da população indígena do Amazonas, a maior no Brasil de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é fundamental fortalecer a mobilização e a resistência dessas comunidades. 

O curso, que ofereceu uma carga horária de 16 horas, abordou uma variedade de tópicos relevantes para o entendimento da causa indígena, incluindo a história desses povos na região amazônica, seus direitos, a importância da ecologia integral e a experiência dos indígenas em contextos urbanos. 

A metodologia empregada durante o Encontro de Formação foi diversificada, incorporando momentos de mística, estudo em grupo, debates em plenária e compartilhamento de boas práticas. Os participantes também tiveram a oportunidade de conhecer experiências enriquecedoras e trocar conhecimentos sobre as lutas e desafios enfrentados pelos povos indígenas na região. 

O Frei Paulo Xavier, frade capuchinho e pároco na Igreja de São Francisco das Chagas, expressou sua alegria com o curso, ressaltando a importância de se unir e lutar coletivamente pela causa indígena. “A experiência de cada um na vida e na busca por esse curso, consolida o grande desejo do bem viver dos povos dessa imensa realidade que é a Amazônia”, comentou o Frei. 

Marcivânia Saterê Mawé, da Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime), destacou a relutância de muitos em discutir as questões indígenas, especialmente na urbanização de Manaus: “Precisamos de cursos como esse, para lutarmos cada vez mais pela causa indígena, levantar dados e somar a voz, porque é a partir disso que a gente constrói políticas públicas eficientes”.  

Em um gesto de gratidão, Marcivânia elogiou a Igreja Católica por seu papel fundamental em conceder protagonismo e autonomia aos povos indígenas, permitindo que eles liderem suas próprias lutas e caminhem rumo a um futuro melhor. 

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