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E-book debate políticas, práticas e desafios do Ensino Médio na contemporaneidade 

  • Postado em: 28 de julho de 2026

As transformações sociais, as mudanças no mundo do trabalho, os avanços tecnológicos e as desigualdades que marcam a realidade latino-americana impõem novos desafios à educação. Nesse contexto o e-book Ensino Médio no Brasil: sobre políticas, práticas e desafio(s) na contemporaneidade reúne reflexões sobre políticas curriculares, experiências escolares e os caminhos possíveis para fortalecer a formação integral das juventudes.

A obra propõe uma análise crítica das reconfigurações educacionais em curso, oferecendo diferentes perspectivas teóricas e analíticas sobre o Ensino Médio brasileiro. Voltado a pesquisadores, educadores e gestores, o livro busca contribuir para o debate acadêmico e para a construção de práticas comprometidas com a formação humana e a justiça social. O material pode ser acessado no site da editora: https://pedroejoaoeditores.com.br/produto/ensino-medio-no-brasil-sobre-politicas-praticas-e-desafios-na-contemporaneidade/#. 

Entre os autores convidados está Mariângela Risério, doutora em Educação, assessora acadêmica da Rede Jesuíta de Educação Básica (RJE) e pesquisadora do Laboratório de Pesquisa em Ensino Médio (Lapem), da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). No capítulo Enfrentamento da vulnerabilidade nas juventudes latino-americanas: educação popular, território e transformação social, ela discute os múltiplos desafios enfrentados pelos jovens e o papel da educação na promoção da inclusão e da cidadania.

Vulnerabilidades que atravessam as juventudes

Segundo Mariângela, as juventudes latino-americanas vivenciam vulnerabilidades relacionadas a desigualdades sociais, econômicas, raciais e territoriais, que impactam diretamente o acesso a direitos fundamentais, especialmente à educação. Com base em dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a autora destaca que a pobreza atinge cerca de 20% da população jovem brasileira, sobretudo na faixa etária entre 15 e 19 anos. Mulheres, jovens indígenas e afrodescendentes estão entre os grupos mais afetados, enfrentando maior exposição à violência, à exclusão social e ao crime organizado.

Para a pesquisadora, compreender as juventudes a partir de suas múltiplas realidades é essencial para a formulação de políticas públicas mais eficazes. “As políticas educacionais, ao buscarem garantir o direito à educação, correm o risco de invisibilizar a diversidade que desejam contemplar quando não consideram as distintas situações vividas pelos jovens”, afirma.

Como exemplo, Mariângela cita a Lei nº 14.640/2023, que institui o Programa Escola em Tempo Integral. Embora a medida amplie oportunidades educacionais, ela pode gerar novas exclusões ao desconsiderar a realidade de estudantes que precisam conciliar os estudos com o trabalho para complementar a renda familiar.

Educação como ferramenta de transformação social

No capítulo, a autora reforça a educação como um direito humano fundamental e um instrumento capaz de promover justiça social e dignidade. Inspirada pela experiência da Fundação Fé e Alegria, ela destaca a educação como um processo ético, político e social, comprometido com a transformação das realidades mais vulneráveis. “A educação das juventudes deve ser concebida como uma ferramenta de mudança, crítica, inclusiva e orientada para a melhoria das condições de vida e para a construção da cidadania global”, explica.

Nesse cenário, a escola assume um papel estratégico. Além de favorecer a inclusão e a equidade, ela representa uma das principais instituições responsáveis por democratizar o acesso ao conhecimento e ampliar oportunidades para crianças e jovens. Uma educação comprometida com a transformação social precisa promover aprendizagens significativas, incentivar o pensamento crítico, fortalecer a colaboração e estimular a participação ativa dos estudantes na construção de soluções para os desafios contemporâneos.

Aprendizados de Fé e Alegria

Ao refletir sobre as contribuições da experiência de Fé e Alegria, Mariângela ressalta que a construção de práticas educativas inclusivas e humanizadoras depende de um compromisso coletivo. Para ela, educadores e gestores precisam atuar a partir de princípios éticos, políticos e pedagógicos orientados por uma “ética da inclusão”, colocando as populações mais vulneráveis no centro das decisões institucionais. “É preciso imaginar novos horizontes e ousar pensar de outras maneiras para construir outra educação para um novo mundo”, conclui.
O e-book Ensino Médio no Brasil: sobre políticas, práticas e desafio(s) na contemporaneidade amplia esse debate ao reunir pesquisas e experiências que ajudam a compreender os desafios atuais da educação e os caminhos possíveis para a construção de políticas e práticas mais justas, inclusivas e comprometidas com as juventudes.

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