Encontro em Manaus reuniu jovens de diferentes territórios para fortalecer a participação e construir respostas aos desafios das juventudes na Amazônia
Formação, saúde, educação, participação, cultura, trabalho e renda e defesa dos territórios estão entre os caminhos apontados pelas juventudes reunidas em Manaus (AM). Depois de três dias de escuta e construção coletiva, o Fórum das Juventudes Amazônicas chega ao encerramento neste domingo (27) com propostas para dar continuidade, nos territórios, ao que foi partilhado durante o encontro.
Realizado desde sexta-feira (25), na Casa de Retiro Ir. Vicente Cañas, o Fórum reuniu jovens, lideranças, religiosos, agentes pastorais e representantes de diferentes instituições. O processo articulou espiritualidade, formação, cultura e convivência a partir de quatro movimentos: escutar, conectar, construir e esperançar.
Promovido pelo Centro MAGIS Amazônia, o encontro contou com o apoio da Frente Apostólica Juventudes e Vocações e das obras e serviços da Companhia de Jesus presentes nos diferentes territórios amazônicos. A construção envolveu ainda organizações e instituições que atuam junto às juventudes e às comunidades da região.
Um processo de escuta e construção
O caminho começou antes do encontro presencial. Em abril de 2026, o Pré-Fórum das Juventudes Amazônicas reuniu, de forma on-line, jovens, jesuítas, colaboradores e lideranças. As contribuições daquela etapa ajudaram a preparar o Fórum e a aproximar diferentes realidades presentes na região.
Em Manaus, essa diversidade ganhou rostos e histórias. Na abertura, uma mística com terra, água, fogo e ar colocou no centro os povos da região e o cuidado com a Casa Comum. Nos momentos seguintes, os jovens compartilharam esperanças, desafios e experiências de seus territórios.
Para Ingridi Arruda, de 24 anos, de Nova Esperança do Piriá (PA), o encontro também contribui para ampliar a compreensão sobre a região.
“São muitos jovens, muitos territórios, muitas culturas e muitas vivências diferentes. É justamente isso o que a Amazônia representa”, afirmou. “É tentar desmistificar um pouco dessa Amazônia que é mata, floresta, mas onde existem etnias, cidades e povos que precisam ser escutados.”
No sábado (26), os participantes passaram da partilha à análise das realidades, buscando compreender desafios, causas, relações de poder e sinais de transformação. A partir desse percurso, os grupos começaram a identificar prioridades e possibilidades de ação.
A espiritualidade acompanhou o processo. Durante a Missa, Dom Frei Samuel Ferreira de Lima, OFM, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus e referencial para a juventude, convidou os participantes a perceberem outra lógica para as relações. “Amar não é conquista, não é vitória. Amar é despojamento. Amar é dar a vida pelo outro”, afirmou.
A programação também valorizou a cultura amazônica e, no domingo (27), promoveu uma roda de conversa com a Rede de Mulheres Soma dos Quintais da Amazônia. O diálogo trouxe para o encontro questões relacionadas às mulheres, aos territórios e ao cuidado, incluindo a saúde das mulheres na região.
Da escuta para a ação
As sínteses construídas pelos grupos apontam caminhos relacionados à formação integral, participação e protagonismo juvenil, educação, saúde e cuidado emocional, cultura e saberes tradicionais, trabalho e renda, formação política e defesa dos territórios e da justiça socioambiental.
Outro horizonte é ampliar a articulação entre obras, serviços, instituições e comunidades e fortalecer o próprio Fórum como espaço permanente de diálogo e incidência.
Presente no último dia, Dom Zenildo Lima da Silva, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus e vice-presidente da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), destacou que o processo vivido é tão importante quanto os encaminhamentos.
“Há um olhar, graças a Deus, sobre a juventude. E esse olhar precisa ser um pouco audacioso, talvez até mais audacioso”, afirmou.
Para Dom Zenildo, o diálogo entre gerações exige disposição para compreender os horizontes e as expectativas dos jovens. “Ainda temos muito, muito mesmo, a descobrir desse universo juvenil”, destacou. O bispo também chamou a atenção para a necessidade de articular as diferentes iniciativas sem disputar o protagonismo das juventudes.
Compromisso que continua nos territórios
Pe. Edson Tomé, SJ, Secretário para Juventudes e Vocações dos Jesuítas do Brasil, ressaltou que aquilo que foi ouvido durante o Fórum gera responsabilidade e pede continuidade.
“A escuta é fundamental para que a gente tenha elementos para discernir aquilo que, de fato, é movimento do Espírito de Deus na vida de cada um de nós”, afirmou.
Ao se dirigir aos jovens, Pe. Edson assumiu o compromisso de mobilizar as organizações presentes para buscar respostas às necessidades apresentadas durante o encontro.
“Eu me comprometo, em nome de todas essas organizações aqui, a mobilizar para que a gente consiga alcançar resposta satisfatória, à altura da ousadia de vocês, para que a gente possa avançar e fazer caminho de vida com todos vocês”, disse.
O jesuíta também apontou que a continuidade passa por três movimentos: reconhecer aquilo que cada pessoa ou organização pode realizar, identificar o que precisa ser construído em conjunto e buscar novos parceiros para os desafios que exigem uma articulação mais ampla.
Assim, o encerramento do Fórum não conclui o processo iniciado com o Pré-Fórum e aprofundado durante os três dias em Manaus. As propostas construídas seguem agora para os territórios e para as organizações envolvidas.
O desafio é transformar a escuta em compromisso e manter vivas as conexões construídas durante o encontro. Dessa forma, “tecer pontes” deixa de ser apenas o lema do Fórum e se torna um horizonte para a continuidade do trabalho com as juventudes nos diferentes territórios da Amazônia.













