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Na ONU, Santa Sé defende a água como bem comum e direito fundamental

  • Postado em: 8 de julho de 2026

Thulio Fonseca – Vatican News

O acesso à água potável segura e aos serviços de saneamento é indispensável para o pleno exercício do direito à vida. Foi o que destacou a Missão Permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas durante o debate do Fórum Político de Alto Nível de 2026 sobre o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável nº 6 (ODS 6), que trata da água e do saneamento e de sua relação com os demais objetivos da Agenda 2030.

Na declaração apresentada em Nova York nesta segunda-feira, 07 de julho, a Santa Sé observou que bilhões de pessoas ainda não têm acesso confiável à água potável e aos serviços básicos de saneamento. Segundo o texto, essa realidade não representa apenas um desafio para o desenvolvimento, mas uma profunda injustiça que viola a dignidade humana e impede o desenvolvimento humano integral.

Água: bem comum da humanidade

A representação vaticana recordou que a água não pode ser considerada uma mercadoria nem um simples recurso econômico a ser explorado. Trata-se de um bem comum e de um dom compartilhado, confiado a toda a família humana. Por isso, sua gestão deve ser orientada pelos princípios da equidade, da solidariedade e da destinação universal dos bens, garantindo que as gerações presentes e futuras possam usufruir desse recurso essencial.

Apoio aos países em desenvolvimento

A Santa Sé também pediu uma renovada urgência no apoio aos países em desenvolvimento, especialmente aqueles que enfrentam situações mais vulneráveis. Entre as medidas apontadas estão o aumento dos recursos financeiros, a transferência de tecnologia e o fortalecimento das capacidades locais. Ao mesmo tempo, a declaração ressaltou que os esforços internacionais devem ser guiados por uma visão da água como patrimônio comum da humanidade, resistindo à sua mercantilização e assegurando que as necessidades humanas básicas não sejam subordinadas a interesses econômicos.

Educação e responsabilidade compartilhada

Segundo a Santa Sé, alcançar as metas do ODS 6 exige mais do que soluções técnicas. É necessária uma profunda transformação cultural e ética que promova uma gestão responsável dos recursos hídricos.

Nesse contexto, a educação e os programas de conscientização desempenham um papel fundamental, ajudando indivíduos, famílias e comunidades a reconhecer o valor da água, evitar desperdícios e adotar padrões sustentáveis de consumo. A declaração também destacou a necessidade de um renovado senso de responsabilidade em todos os níveis — pessoal, local, nacional e internacional — bem como de políticas públicas que priorizem o bem-estar dos pobres e dos mais necessitados.

“Proteger a água é proteger a vida”

Ao concluir sua intervenção, a Santa Sé recordou que proteger a água significa proteger a própria vida. Reconhecer a água como bem comum, afirmou, exige superar interesses particulares e agir com espírito de solidariedade e justiça em favor das gerações atuais e futuras. A delegação vaticana destacou ainda que a Conferência da Água de 2026 representará uma oportunidade importante para fortalecer os compromissos internacionais em prol do acesso universal à água potável e aos serviços de saneamento, contribuindo para a construção de um desenvolvimento verdadeiramente sustentável e centrado na dignidade humana.

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