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“Onde está seu Coração?” foi o tema que norteou o segundo dia do Encontro da Província

  • Postado em: 22 de julho de 2026

Um momento de oração aqueceu os corações dos participantes no início do segundo dia do Encontro da Província do Brasil 2026, que acontece no Mosteiro de Itaici, em Indaiatuba (SP), de 21 a 24 de julho. Após, o arcebispo Metropolitano de Goiânia (GO) e 1º vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Justino de Medeiros Silva, e o Pe. Rafael Garrido Vargas, SJ, presidente da Conferência de Provinciais Jesuítas da América Latina e do Caribe (Cpal), subiram ao palco para a provocação Sinais dos tempos que nos interpelam, que contou com a mediação do provincial, Pe. Francys Silvestrini Adão, SJ.  

Em sua fala, dom Justino apresentou uma visão panorâmica das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, que estão alinhadas ao Sínodo da Sinodalidade. Ele falou ainda dos sinais de esperança que marcam a evangelização, assim como os desafios desta missão no Brasil, ressaltando os limites no diálogo com os jovens e adolescentes, descaso com a Casa Comum, entre outros.

Outro ponto trazido por dom Justino foram os sinais de esperança e da necessidade de a Igreja responder com uma conversão pastoral e estrutural às transformações da sociedade. “A teologia da comunhão, afirmada pelo Concílio Vaticano II, recorda-nos que, para vivermos melhor a sinodalidade, precisamos ser capazes de acolher e compreender nossas diferenças de pensamentos, concepções e carismas como dons a serviço do bem de todos, e não como ameaças”, afirmou o arcebispo.

Ao analisar a missão confiada a todo o Povo de Deus, dom Justino enfatizou a busca por uma Igreja em saída, marcada pelo acolhimento e pela superação do cansaço pastoral. “Somos interpelados a superar uma pastoral de conservação e a vencer o desânimo e o cansaço com um novo vigor missionário”, ressaltou. Por fim, abordando os compromissos sinodais e a necessidade de rever estruturas, ele leu trechos do documento que sintetiza essa dinâmica de transformação: “A Igreja é chamada a firmar suas estacas na conversão e reordenar seus espaços para melhor servir à missão. Nela, as relações são curadas para gerar comunhão; os processos são purificados para favorecer a participação; e os vínculos são alargados para tecer a fraternidade que ultrapassa fronteiras”, concluiu.

Ao final da apresentação, Pe. Francys agradeceu ao dom Justino por sua apresentação inspiradora. E, em seguida, passou a palavra para o Pe. Rafael Garrido, SJ.

O presidente da Cpal trouxe uma análise sob a perspectiva continental, contextualizando o trabalho da Companhia de Jesus no cenário atual da América Latina e do Caribe. Ao abordar as transformações socioculturais e geopolíticas contemporâneas, o jesuíta destacou o conceito de mudança de época: “Gostaria de começar recordando algo que certamente todos e todas já sabemos: hoje não falamos apenas de uma época de mudanças, mas de uma verdadeira mudança de época. O tempo em que vivemos mudou”.

Ao tratar das estratégias apostólicas regionais, Pe. Garrido abordou a aplicação do discernimento no planejamento das províncias e a articulação entre a missão espiritual e a gestão. “O Pe. Arturo Sosa, SJ, superior geral da Companhia de Jesus, costuma dizer que o discernimento responde ao ‘o quê’, enquanto o planejamento responde ao ‘como'”, lembrou o jesuíta.

Pe. Rafael chamou a atenção de que “a Companhia de Jesus não é formada por províncias. Ela se organiza em províncias. Isso significa que a província não é a Companhia de Jesus. A Companhia é um corpo apostólico universal colocado a serviço da Igreja universal”.

Após as apresentações, os 310 participantes foram divididos em grupos, para a Conversação Espiritual. A atividade, inspirada pela espiritualidade inaciana, trouxe reflexões que foram compartilhadas depois em plenária no auditório de Itaici.

Período da tarde

No início da tarde, o sócio do provincial, Ir. Davidson Braga, SJ, apresentou a Provocação O estado da BRA, dando um panorama da Província e reflexões sobre a realidade da Companhia de Jesus no Brasil. “Por que, por quem e para onde estamos indo? O Espírito nos interpela o tempo todo, como está em nosso Plano Apostólico. Essa é a ideia da conversa que teremos agora, é mais na linha de sentir, de perceber. E perguntaria ainda: O que que eu posso fazer para ajudar o Governo da Província a avançar? Porque o governo não faz nada sozinho”, ele destacou, com o objetivo de inspirar os participantes, que se reuniram para dar continuidade à Conversação Espiritual.

Ao voltarem ao auditório, a diretora do Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados (SJMR Brasil), Flávia Reis, compartilhou algumas percepções das conversas realizadas pelos 30 grupos, abrindo espaço para as reverberações entre os participantes.

Em seguida, Pe. Francys trouxe o aprofundamento sobre a caminhada realizada até agora sob a perspectiva do tema do encontro, Onde está seu coração? Ele ressaltou que a Província é um corpo em movimento para que possamos avançar e ir mais longe. “Nós, como Companhia de Jesus, estamos vivendo um movimento que não é só nosso. É um movimento que faz parte da história da Igreja, ao longo dos séculos, mas que está marcado pelo Conselho Vaticano II”, disse.

O provincial destacou que a missão surge da experiência batismal, de sentir-se amado por Deus. “Nós somos homens e mulheres de Igreja”, afirmou, explicando que essa vivência dá forças para amar e servir em qualquer circunstância. Segundo ele, o caminho conciliar e a sinodalidade ganham vigor com a liderança latino-americana no Vaticano e na Companhia de Jesus: “Essa escuta e participação são a experiência eclesial latino-americana, animada pela experiência espiritual da Companhia”.

Pe. Francys reafirmou ainda a convergência das diretrizes da Província com as Preferências Apostólicas Universais. “A Companhia de Jesus não é um trem desgovernado. Nós temos horizonte, sabemos para onde vamos e queremos caminhar juntos”, completou, destacando a importância das redes, da colaboração com leigos e da cultura de proteção e cuidado. E ao concluir sua apresentação, afirmou que a “nossa grande consolação é ver e crer que o Reino está acontecendo em nós e para além de nós”.

Eucaristia

Celebrada pelo presidente da Cpal, Pe. Rafael Garrido, SJ, na Igreja N. Sra. do Bom Conselho, a eucaristia desta quarta-feira (22) trouxe o tema Maria manteve seu coração sempre no Senhor. Durante a missa, foram homenageados os jesuítas que estão completando jubileus de sacerdócio, de últimos votos e de Companhia de Jesus. Outro momento especial foi a homenagem ao Pe. Paulo Lisbôa, SJ, que completará 60 anos de sacerdócio, em dezembro de 2026. Aos 91 anos, ele é um dos jesuítas mais idoso presente no encontro. Dando continuidade à Ação de Graças, Pe. Paulo Lisbôa destacou a interação entre gerações e a graça de termos Marias em nossas vidas. E acrescentou: “Digo por nós que estamos nas Casas de Saúde rezando por vocês e querendo que a Companhia de Jesus de fato leve a termo o projeto do Reino de Deus, a nossa união, não só a tradição antiga, mas a tradição que nos leva ao Reino de Deus”, finalizou, sendo aplaudido pelos presentes.

Após a eucaristia, sete espaços temáticos finalizaram as atividades desta quarta-feira no Encontro da Província: Articulação Afro Brasil SJ; Ancestralidade: fortalecendo o encontro entre as gerações na BRA; Entre a crítica e a tradição: a construção da autoria em um manuscrito atribuído a José de Anchieta; Iniciativas comunitárias para a ecologia integral; Animar e acompanhar vocações hoje: da primeira inquietação ao Noviciado: desafios e possibilidades para a BRA; A missão da Companhia na Amazônia hoje; e Rearticulação e fortalecimento da formação permanente e dos encontros de partilha dos Jesuítas Irmãos da Província.

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