
Teve início nesta segunda-feira (10), no Centro Cultural de Brasília (CCB), o 2º Encontro Nacional da Rede Jesuíta de Justiça Socioambiental (RJSA) da Companhia de Jesus no Brasil, reunindo 30 representantes das obras que integram a Rede. A programação segue até o dia 14 de agosto.
A abertura aconteceu com a mística Cerrado, berço das águas, que trouxe as imagens do rio, das canoas e da rede para situar os participantes no bioma que acolhe o encontro. Em seguida vieram a apresentação dos presentes e a partilha sobre a missão da RJSA, num movimento que preparou o grupo para os trabalhos dos dias seguintes.
Ainda no primeiro dia, o Pe. Jean Fábio Santana, SJ, secretário para a Justiça Socioambiental da Província do Brasil, conduziu a apresentação sobre a trajetória histórica da Rede, provocando o grupo com três perguntas que orientaram a reflexão: de onde viemos, como estamos e para onde vamos. Na sequência, Tatiane Sant’Ana, coordenadora de Ação Social, e o Pe. Jerfferson Amorim de Souza, SJ, assessor de relações institucionais, apresentaram o Planejamento Estratégico da RJSA, retomando o quanto a rede já caminhou e onde se encontra hoje.
A presença do provincial
O provincial dos jesuítas do Brasil, Pe. Francys Silvestrini Adão, SJ, participou por videochamada desse primeiro dia e dirigiu uma fala aos presentes. Começou agradecendo a participação de todos, reconhecendo que cada um contribui a partir do seu próprio lugar. Lembrou que a RJSA é acompanhada com atenção pelo superior geral da Companhia de Jesus, Pe. Arturo Sosa, SJ, que reconhece o trabalho desenvolvido pela rede e os avanços alcançados nos últimos anos.
Para o provincial, a disposição das obras em caminhar juntas, buscando pontos de convergência, é um exemplo para outras redes da Companhia. Foi a partir desse reconhecimento que ele apresentou ao grupo cinco pontos nos quais pede a colaboração da RJSA.
Cinco pontos de compromisso
O primeiro nasceu de uma conversa recente entre os provinciais da América Latina, marcada pela preocupação com os ataques diretos à cultura democrática nos países da região. O Pe. Francys observou que o bem comum, a cidadania, a escuta e os espaços democráticos vêm sendo atingidos de maneira concreta, e manifestou o desejo de que a Companhia de Jesus colabore no fortalecimento dos laços sociais e da cultura democrática. Esse cuidado, pediu ele, precisa estar presente em todas as relações da Rede: com as pessoas atendidas, entre voluntários, entre os próprios membros e entre as instituições. Ele recordou que a opção preferencial pelos pobres, a distribuição dos bens e a dignidade de todo ser humano já foram caminhos apontados pela América Latina, mas hoje deixaram de ser consenso, inclusive dentro de comunidades cristãs pressionadas por outras culturas.
O segundo ponto tratou da identidade da Rede. O provincial lembrou que a RJSA pertence a toda a Companhia de Jesus e que seu serviço, embora não tenha feição religiosa explícita, brota da fé. Muitas das pessoas atendidas têm prática ou desejo religioso, e frequentemente esses grupos, acolhidos pela rede em sua dimensão social, acabam assediados por propostas religiosas que não libertam nem fortalecem o vínculo social. Diante disso, ele propôs que a Rede ofereça, a quem procurar, uma alternativa coerente com o serviço emancipatório que já realiza, incluindo ao menos a pergunta pela dimensão religiosa. Os núcleos apostólicos, apontou, existem também para isso: uma vez identificada a demanda, é possível encaminhá-la a uma obra do núcleo capaz de acompanhar essa dimensão. São duas faces que podem convergir.
O terceiro ponto foi a participação dos jovens. O Pe. Francys contou que, nos diferentes lugares por onde passou antes de assumir como provincial, encontrou o mesmo desafio: mobilizar os jovens nas ações sociais das comunidades. Recordou, de modo especial, o pedido de envolver os jesuítas jovens no trabalho da rede, desde aqueles que ainda estão em formação, nas pastorais sociais, por exemplo. Reforçou a necessidade de trazê-los para as diversas frentes de trabalho, cuidando assim da intergeracionalidade da Rede.
O quarto ponto foi a Ecologia Integral. O provincial reconheceu que essa, que corresponde à quarta Preferência Apostólica Universal, é hoje a que avança mais lentamente, e pediu que a Rede olhe com atenção para ela. Aqui, disse, a RJSA pode ajudar concretamente a Província do Brasil, lembrando que a Ecologia Integral é responsabilidade de todos e todas.
O quinto ponto foi a comunicação da missão, destacando que o serviço desenvolvido pela Rede possui uma característica de discrição, mas que isso não deve impedir a circulação das experiências e belezas produzidas pelas obras. Pe. Francys defendeu uma comunicação baseada em relatos pessoais, testemunhos e vínculos interpessoais.



