Esc. Caio Henrique de Souza Silva, SJ
No dia 23 de fevereiro, a Aldeia Arapowãnã Kakyá, do povo Xucuru Kariri, celebrou três anos de retomada, em um encontro marcado pela força, espiritualidade e reafirmação da identidade indígena. A festividade reuniu lideranças de diversos povos originários, como os Kaxixó, Kamakã Mongoió, Puri, Pataxó, Pataxó Hahahãe e Kiriri, além de organizações parceiras que caminham lado a lado na luta indígena e na valorização das culturas tradicionais.
A celebração foi um momento de fortalecimento dos laços entre os povos, comprovando a importância da retomada como um ato de resistência e reexistência. Durante o dia, cantos, danças, rituais e rodas de conversa ecoaram pela aldeia, lembrando a todos que a terra é um espaço de memória e vida, onde a luta dos ancestrais segue pulsando nas novas gerações.
A presença das diversas lideranças indígenas fortaleceu a unidade entre os povos e confirmou o compromisso com a defesa dos territórios tradicionais. As suas falas ressoaram como um chamado à luta, denunciando os desafios enfrentados pelos povos indígenas e reafirmando a retomada como um direito legítimo de reconexão com a terra e as tradições.
As organizações parceiras também marcaram presença, contribuindo com reflexões e apoio na construção de um futuro em que os direitos indígenas sejam respeitados e garantidos. A troca de saberes e experiências fortaleceu ainda mais as alianças entre os movimentos sociais, reafirmando a importância da luta coletiva. A celebração contou, ainda, com a presença e o acompanhamento dos jesuítas, que reafirmaram seu compromisso com a missão indigenista e o apoio à luta dos povos originários. A presença da Companhia de Jesus, por meio da escuta, do diálogo e do serviço pastoral, fortalece ainda mais a espiritualidade e a resistência à retomada.
Celebrar três anos de retomada da Aldeia Arapowãnã Kakyá é celebrar a vida, a resistência e a espiritualidade indígena. Que essa caminhada siga firme, guiada pelos encantados, fortalecendo cada vez mais o povo Xucuru Kariri e todos os povos originários na luta pelo Bem Viver. A luta continua! Terra, território e tradição!