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“Vale a pena ser jesuíta nesse mundo”, diz Pe. Carlos Viana, após etapa da Terceira Provação

Padre Carlos Viana (centro da imagem) recebendo a benção das senhoras da Comunidade Tiwi, na Ilha de Bathurst. Terceiro experimento da Terceira Provação
Padre Carlos Viana (centro da imagem) recebendo a benção das senhoras da Comunidade Tiwi, na Ilha de Bathurst. Terceiro experimento da Terceira Provação

Antes de ser acolhido definitivamente no corpo apostólico da Companhia de Jesus e após alguns anos exercendo o apostolado como padre ou irmão, o jesuíta é chamado a realizar a última etapa de sua formação, conhecida como Terceira Provação. “Nós somos convidados a uma experiência para reeducar nossos afetos na direção da espiritualidade inaciana. Nessa etapa, temos a oportunidade de mergulhar profundamente na dinâmica do nosso instituto religioso, revisitando a história do nosso fundador, estudando e fazendo de novo os Exercícios Espirituais de Santo Inácio na sua forma mais tradicional de 30 dias. Além disso, lemos e estudamos as Constituições, refletimos sobre os votos religiosos na Companhia de Jesus, aprendemos um pouco mais sobre a história de nossa Ordem e sua atualização ao longo dos últimos anos”, explica padre Carlos Sérgio Viana, que concluiu a Terceira Provação no mês de agosto.

“Em cada comunidade que visitamos fomos sempre recebidos de braços abertos, com alegria e um sólido testemunho de companheiros no Senhor”

Pe. Carlos Sérgio Viana

Em 2016, padre Carlos passou quase oito meses na Austrália vivenciado essa importante etapa da formação jesuíta. Segundo ele, a hospitalidade australiana marcou a recepção dele e dos outros companheiros de Terceira Provação. “Em cada comunidade que visitamos fomos sempre recebidos de braços abertos, com alegria e um sólido testemunho de companheiros no Senhor”, afirma. A diversidade cultural foi outra marca da experiência, a começar pelo grupo de noves jesuítas, cada um de um país diferente: Itália, Jamaica, EUA, Japão, Filipinas, Malásia, Brasil e dois da Alemanha. “Podíamos sentir essa riqueza cultural em cada tópico para estudo e reflexão, que era sempre iluminado por diversos pontos de vista e instigantes contribuições”, diz.

Na Austrália, o programa da Terceira Provação é desenvolvido a partir de Melbourne, a segunda maior cidade país, com cerca de dois milhões de habitantes. Mas, a experiência não fica restrita apenas a região metropolitana, pois, para os jesuítas, a estadia é uma oportunidade para descobrir as riquezas australianas. “Visitamos juntos as principais cidades do país e tivemos alegria de fazer dois passeios de piquenique ao redor de Melbourne, além das viagens para nossos experimentos”, conta.

Para padre Carlos, na Austrália, o que caracteriza a Terceira Provação é a pertença a Comunidade Pedro Fabro, que tem uma vida comunitária vibrante. Além disso, segundo o jesuíta, a coordenação do programa foi cuidadosa e prestativa. “Durante essas semanas, eu e meus companheiros moramos em uma das grandes cidades do mundo, em um país marcado pela diversidade étnico-cultural. Vivenciamos essa etapa em uma província extremamente generosa e acolhedora”, descreve.

O coração da Terceira Provação

Além de ser uma etapa essencial antes de professar os últimos votos na Companhia de Jesus, a Terceira Provação consagra o modo de ser jesuíta no jovem membro da Ordem. “É um momento muito bonito na vida de qualquer jesuíta porque é a oportunidade que a Companhia de Jesus nos oferece para repensar toda vida à luz do ser jesuíta”, ressalta padre Carlos. Segundo ele, depois de anos de formação, algumas coisas precisam ser revistas e ajustadas. “A maturidade que advém do tempo de caminhada oferece o contexto de fazer uma escolha livre: cada jesuíta é chamado a dizer: ‘sim, eu quero dar minha vida a serviço da Igreja e da Companhia de Jesus seguindo os passos de tantos homens à inspiração de Santo Inácio e dos primeiros companheiros!’”, acredita.

“[…] Depois de meses na Terceira Provação, eu olho para trás com saudade e nostalgia, mas também olho para frente com esperança e entusiasmo, pois vale a pena ser jesuíta nesse mundo”

Pe. Carlos Sérgio Viana

Para o jesuíta, ‘o coração’ da Terceira Provação é o retiro de 30 dias. Na Austrália, ele vivenciou esse momento em Sevenhill, no Sul do país. “Nessa etapa, com bastante liberdade, buscamos escolher o caminho Inaciano novamente. Deus é muito generoso e se dá completamente quando nos abrimos ao seu amor. O ‘Retiro Grande’ foi maravilhoso”, conta padre Carlos, que acrescenta: “a Terceira Provação na Austrália é um programa que se desenvolve em harmonia muito grande. Cada momento prepara o próximo e se vive toda a experiência na dinâmica própria da Companhia de Jesus. Formamos uma pequena comunidade internacional que nos acolhe, nutre nossa vocação e nos ajuda a amar ainda mais nosso carisma”, destaca.

Após essa experiência, padre Carlos ressalta que o sentimento é de gratidão. “Eu agradeço a Deus por seu amor misericordioso, agradeço profundamente à Companhia de Jesus por essa experiência e agradeço aos coordenadores do programa. Eu aprendi muito com essa Comunidade que fez parte da Residência Pedro Fabro, em Melbourne. Viver em comunidade  em nossa Ordem religiosa é um dom e uma tarefa. A comunidade também é missão na Companhia de Jesus, como bem afirma a 35ª Congregação Geral e nosso superior geral, padre Adolfo Nicolás, que vem chamando constantemente nossa atenção. Depois de meses na Terceira Provação, eu olho para trás com saudade e nostalgia, mas também olho para frente com esperança e entusiasmo, pois vale a pena ser jesuíta nesse mundo”, conclui padre Carlos.

 

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