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Artigo | Olhos pascais veem novas todas as coisas 

  • Postado em: 9 de abril de 2026

Ir. Consolação de Matos, FI (Ir. Consola)

Crer no Deus da Vida é um grito de protesto e um clamor de esperança num mundo desnorteado pela morte em suas várias dimensões da vida dos seres viventes. O Deus de Jesus é o “Deus vivo e de vivos” (Lc 20,38). Deus é um mistério de vida, uma comunidade de vida que busca se comunicar conosco – um Deus de relações. 

Quando o dinamismo da morte entrou no mundo, o Filho foi enviado pelo Pai para dar-nos vida abundante (Jo 10,10). Jesus é o caminho, a verdade e a vida (Jo14,6), a ressurreição e a vida (Jo 11,25). E anuncia um reino de vida.  Ressuscitando Jesus, Deus Pai atesta que o caminho de seu Filho é o caminho da vida. Santo Irineu formulou sua fé no Deus da vida assim: “A glória de Deus consiste em que o homem viva, mas a vida do homem consiste na visão de Deus”. 

Qual é a minha imagem de Deus? Tenho medo da morte? Por quê? 

“A morte atinge a totalidade da pessoa e não só o seu corpo. Ela cresce e se madura dentro da vida do homem mortal. Jesus, totalmente humano, teve que passar por ela. Com a morte, a pessoa adquire outro tipo de corporalidade, mais aperfeiçoado e universal. Se a morte significa um aperfeiçoamento do ser humano por causa de sua relação mais íntima com o universo, então ela possibilita também a plenitude do conhecer, do sentir, do amar, enfim, da consciência. Ao morrer, a pessoa atravessa semelhante crise biológica como ao nascer. A morte significa o nascimento do verdadeiro e pleno querer. A pessoa não é só um ser, mas principalmente um poder-ser. Existe nesse ser um homem latente que quer se revelar em sua plenitude total. A ressurreição é a resposta ao princípio-esperança do homem.” (A ressurreição de Cristo- Leonardo Boff). E, nós cristãos, vimos em Jesus esse homem revelado. 

A ressurreição de Jesus é um fato histórico, com testemunhas oculares que deixaram para nós o registro de suas experiências: foram transformados por dentro e por fora, não continuaram as mesmas pessoas. Olhemos para Maria Madalena, Pedro, João, os discípulos de Emaús, Tomé, a comunidade dos discípulos, Paulo… Passaram de uma situação de tristeza, vazio, solidão da ausência, medo, falta de sentido, de trevas para a luz que nunca mais se apagará. E uma Esperança tão entranhável os fez capazes de “ver novas todas as coisas n’Ele”.  

A fé na ressurreição imprime novo dinamismo em nossa caminhada terrena. E professamos nossa fé em cada eucaristia, não só no credo:  

Mistério da fé!  

– Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição.  

Vinde, Senhor Jesus! 

Essa fé que renova a esperança, nos faz olhar a vida com novas lentes, porque está baseada na certeza da vida em plenitude, dom de Deus. “Depois da morte, o ser humano entra na atmosfera de Deus, que é a eternidade. Esse final dos tempos cronológico não existe na eternidade. Pela ressurreição, tudo na pessoa é transfigurado”. (Leonardo Boff) E já podemos começar hoje a viver na atmosfera do Deus Eterno, buscando ver a ação de Deus nos acontecimentos e vibrar com o positivo que Deus é em todas as coisas. Para refletir: 

 Busco a Deus no cotidiano de nossa história? 

– Sabendo da finitude da existência, como tenho vivido?   

Creio na vida, apesar da morte? Defendo a vida em todas as dimensões? 

A Ressurreição, o fundamento central do cristianismo, nos oferece esperança no sofrimento. 

 

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