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Fé e Alegria realiza 1º Fórum de Liderança, Gestão e Inovação

Na última semana, as lideranças de Fé e Alegria participaram de momentos de formação, cheios de conhecimento e reflexões. Realizado de 02 a 04 de abril, o 1º Fórum Fé e Alegria de Liderança, Gestão e Inovação trouxe convidados especiais que abordaram temas relacionados à espiritualidade e liderança inaciana, sustentabilidade, educação popular, entre outros.

Realizado de forma 100% on-line, o Fórum contou com a participação de 75 pessoas, entre coordenadores executivos dos centros sociais, diretores dos centros de educação infantil e escolas, assistentes sociais, coordenadores de projetos, coordenadores pedagógicos, assessores pedagógicos e comitê de apoio de Fé e Alegria.

Ao final do encontro, o diretor-presidente da Fundação, Pe. Alexandre Raimundo de Souza, SJ, ressaltou todo o aprendizado gerado ao longo do Fórum e fez um convite aos participantes, para que se tornem multiplicadores do conhecimento ali compartilhado. “Foram três dias de muita participação e reflexão. Que possamos agora deixar decantar, descer devagarinho ao coração, para refletir com calma e, depois, compartilhar. Porque o que estamos fazendo aqui é para multiplicar em pequenos espaços dentro dos nossos centros. Então compartilhem com aqueles que estão trabalhando com vocês. Aprendemos muita coisa.”

Confira um pouco do que foi discutido no Fórum:

Pe. Mieczyslaw Smyda, SJ

Liderança de serviço


Primeiro convidado do Fórum, o Pe. Mieczyslaw Smyda, SJ, Provincial dos Jesuítas do Brasil, falou sobre liderança inaciana, levando o grupo a uma reflexão sobre a dimensão do cuidado e do serviço na gestão de Fé e Alegria.

Nesse sentido, ele ressaltou a importância da base da espiritualidade inaciana para o trabalho realizado pela Fundação. “A espiritualidade inaciana é uma espiritualidade de serviço, o que leva à liderança de serviço. Líder servidor é aquele que se doa de verdade.”

O Provincial reforçou ainda que a liderança inaciana pede três coisas bem integradas: atitude, capacidade e ação: “liderança, a partir do inaciano, é um modo de proceder, um estilo de vida, pelo qual nós optamos, e um hábito do coração. Quer dizer que eu estou aberto para me deixar inquietar e interpelar por aquilo que encontro tanto externamente quanto internamente. Isso faz com que a minha vida, meu modo de ser, meu modo de proceder e meus hábitos internos se coloquem a serviço da missão”.

Movidos por estar com o povo

Nélia dos Santos Nascimento


Ainda no primeiro dia do Fórum, os participantes contaram com a presença de Nélia dos Santos Nascimento, coordenadora-executiva do Centro de Estudos e Ação Social (Ceas). Após um panorama geral e histórico sobre o trabalho da obra, Nélia, que também compartilhou parte de sua história de vida, convidou a todos a refletir sobre a importância da missão na atuação da liderança. “O que nos move a estar aqui são os nossos desejos e a nossa missão. É estar com o povo. E isso, dentro de uma dimensão fundamental, que é o diálogo de saberes. Quando a gente chega numa comunidade, a gente sabe que vai aprender junto com eles”, comenta.

Nélia também discutiu o conceito de compromisso social, que, para ela, está diretamente associado à liderança. “Como eu vou ser parte de uma coordenação, de uma gestão, se eu não tiver esse compromisso com o social, com quem está na ponta?”

Pe. Carlos Fritzen, SJ

Identidade e missão

Já o segundo dia do Fórum foi marcado pela apresentação do Pe. Carlos Fritzen, SJ, que já foi diretor presidente nacional de Fé e Alegria Brasil e coordenador internacional do Movimento, sobre Gestão em Redes. Ao resgatar documentos importantes para Fé e Alegria, como “Cómo trabajar en red sin diluirse en el intento”, do Pe. Jorge Cella, SJ, ele falou sobre como esse processo se dá no Movimento. “O primeiro segredo desse trabalho em rede é identidade e missão. E isso tem sido reconhecido como uma grande fortaleza de Fé e Alegria”, ressaltou.

Pe. Fritzen destacou ainda que as redes são chamadas a ser um meio poderoso para levar a cabo nossa missão em um contexto incerto e complexo. “Se não tiver uma causa comum, não existe a possibilidade de trabalho em rede.”


O que as ideias estão provocando em nós?

Pe. Francys Silvestrini Adão, SJ

No segundo dia do evento, os participantes puderam ouvir ainda a partilha do Pe. Francys Silvestrini Adão, SJ, coordenador do curso de Graduação em Teologia na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (Faje). Ao dividir com o grupo sua experiência como participante da 71ª Congregação de Procuradores da Companhia de Jesus, que ajudou a construir o documento De Statu Societatis, ele chamou a todos a, para além das ideias, observar os sentimentos provocados por sua partilha.

“Não basta ter ideias”, comentou Pe, Francys. “O que essas ideias estão provocando em nós? Elas estão decantando em nós, estão nos modificando.”

Prof. Márcio Waked

Liderança responsável


O último dia do Fórum contou com a participação do professor Márcio Waked, da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), que trouxe uma reflexão sobre “Inovação Social: perspectivas para uma liderança responsável”. Em sua fala, ele abordou novos conceitos de economia, a necessidade da busca por um mundo mais sustentável e a importância da liderança nesses contextos.

“Se quisermos ser socialmente responsáveis, temos que entender que todos aqueles elementos que vemos como necessários para uma vida digna têm que ser atendidos não só para nós, mas para todo mundo”, ressaltou o professor.


Inovação educativa para a transformação social

Beatriz Borjas

Já o encerramento do Fórum ficou por conta da líder da Iniciativa Federativa de Formação Pedagógica de Fé e Alegria, Beatriz Borjas, que apresentou o painel “Inovação Educativa para a Transformação Social”. Com larga experiência em Fé e Alegria e amplo conhecimento sobre a história e as características do Movimento, Beatriz falou sobre a necessidade de inovar na forma de fazer pedagogia.



“Eu acredito que temos que inovar nosso modelo pedagógico. E quando falamos de pedagogia, não pensamos somente nos centros educativos formais. Todos nós, educadores e educadoras, somos pedagogos.”

Beatriz ressaltou também o papel da gestão na defesa dos direitos de todos e todas, e da importância de trabalhar em rede. “Nós nos colocamos em rede com outras organizações, sejam educativas, sociais, comunitárias, e sentimos que não estamos sozinhos, mas estamos com outros”, concluiu.

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