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400 anos das

Missões

Jesuítico-Guarani

400 anos das

Um legado de encontro, cultura e fé que marcou a história do Brasil e da América do Sul

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e Memórias

400 anos das Missões Jesuítico-Guarani: momento de festa ou reflexão?
400 anos das Missões Jesuítico-Guarani: momento de festa ou reflexão?
Sou da opinião que devemos deixar de lado os festejos triunfalistas e que as ações turísticas fiquem em segundo plano. Julgo ser um momento de destacar os valores vivenciados durante os 160 anos (1626-1768) de convívio entre os Guarani e Jesuítas.A frase do saudoso bispo angelopolitano, Dom Estanislau Kreutz, nos lança uma [...]
Relíquia de São Roque percorre Missões e fortalece memória e missão inaciana
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400 anos das Missões Jesuítico-Guarani
400 anos das Missões Jesuítico-Guarani
No dia 03 de maio, a Companhia de Jesus no Brasil deu mais um passo nas celebrações pelos 400 anos das Missões Jesuítico-Guarani no Rio [...]

SOBRE A CELEBRAÇÃO

Um legado que

transcende

séculos

Em 2026, celebramos os 400 anos das Missões Jesuítico-Guarani, criadas entre os séculos XVII e XVIII, em territórios que hoje abrangem o sul do Brasil, regiões da Argentina e do Paraguai. As missões, ou reduções, nasceram do encontro entre os missionários jesuítas e os povos indígenas, especialmente os guaranis, formando comunidades únicas de organização coletiva.

Essas reduções não eram apenas aldeamentos, mas centros dinâmicos que integravam fé, trabalho, educação e vida comunitária, com o objetivo de proteger os indígenas das expedições de bandeirantes, que buscavam escravizá-los. As missões também foram um espaço de diálogo cultural, onde saberes indígenas e europeus se entrelaçaram, criando uma rica herança de arte, música e espiritualidade.

Apesar das tensões e dos conflitos, como o martírio de missionários e a Guerra Guaranítica, a experiência das reduções deixou um legado duradouro. Hoje, ele é visível nas ruínas de missões como São Miguel das Missões, no Brasil, e Santíssima Trindade del Paraná, no Paraguai. Celebrar este marco é reconhecer sua importância histórica e refletir sobre os desafios contemporâneos de justiça social, interculturalidade e construção de uma sociedade mais solidária.

Mensagem do Provincial

Palavras da

Companhia de Jesus

Com todos os seus desafios e limites históricos, as Missões foram um sinal de que o Evangelho continua a transformar a vida das pessoas e das comunidades, sempre promovendo a dignidade humana, gerando nossas formas de organização social e alimentando a esperança nos corações.

Pe. Francys Silvestrini Adão, SJ

400 Anos das Missões Jesuítico-Guarani

Caminhos que atravessam

a história

Fundação da Companhia de Jesus

A Companhia de Jesus é criada em um contexto de renovação da Igreja Católica, com forte impulso missionário e educativo.

1545–1563
Chegada dos jesuítas ao Brasil

Início da atuação missionária na América portuguesa, que mais tarde daria origem a experiências como as Missões Guaranis.

Final do século XVI
Início das Missões

Fundação das primeiras reduções jesuíticas com os povos guaranis, na região do atual Paraguai. Surge um novo modelo de organização comunitária.

1610–1630
Ordem real de proteção às missões

Publicada a ordem real de proteção das missões, na qual cada missão era dotada de total autonomia para se governar, o acesso a reduções dos estrangeiros era proibido e os indígenas tinham a garantia de que não seriam escravizados.

1628
Conflitos e ataques bandeirantes

Expedições vindas do Brasil atacam as reduções para escravizar indígenas, levando à destruição de várias comunidades e deslocamentos forçados.

1641
Período de florescimento

As missões atingem seu auge:

  • Desenvolvimento da música, escultura e arquitetura
  • Organização econômica coletiva
  • Educação estruturada
  • Crescimento populacional
1680–1750
Tratado de Madri

Acordo entre Portugal e Espanha redefine fronteiras e afeta diretamente as missões, exigindo a transferência de populações indígenas.

1754–1756
Fim da resistência guarani e nova ordem nas Missões
  • Morte de Sepé Tiarajú (07 de fevereiro)
  • Batalha do Caiboaté (10 de fevereiro)
  • Início da administração dos 7 povos pelas tropas ibéricas e novas ordens religiosas
1767
Domínio espanhol

Com a saída dos jesuítas do território das Missões, as reduções passam a ser administradas pela colônia espanhola.

Séculos XVIII–XIX
Retorno dos jesuítas ao Brasil

Neste ano, os primeiros jesuítas retornam ao Brasil, marcando a retomada da presença da Companhia de Jesus no país.

Século XX
Lançamento da pedra fundamental do Santuário de Caaró

Pe. Max Von Lassberg, SJ, organizou um grupo de colonos e junto com eles lançou a pedra fundamental de um pequeno santuário, em Caaró.

1983
A Província dos Jesuítas do Brasil retoma a gestão da Paróquia São Miguel Arcanjo

A Companhia de Jesus retornou à Paróquia São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões (RS), em outubro de 2020, após quase 30 anos. O local vem se consolidando como referência de fé e turismo religioso na região missioneira.

2026
1540
Reforma Católica (Concílio de Trento)

A Igreja se reorganiza e fortalece sua presença no mundo, incentivando missões em novos territórios.

1549
Desafios na colonização

Expansão europeia na América traz:

  • Conflitos entre colonizadores e povos indígenas
  • Escravização indígena
  • Disputas territoriais

Surge a necessidade de formas alternativas de convivência e proteção.

1609
Expansão das reduções

As missões se multiplicam pela região do Rio da Prata (Brasil, Argentina e Paraguai), reunindo milhares de indígenas em comunidades organizadas.

1611
Fundação de Caaró e martírio dos missionários

Os padres Roque Gonzales e Afonso Rodríguez fundam a redução de Caaró. Em 15 de novembro, apenas quinze dias após sua criação, ambos são mortos, em um episódio que se tornaria um dos mais marcantes da história das Missões.

1628–1641
Batalha de Mbororé

Marco decisivo: os povos guaranis, organizados nas missões, derrotam os bandeirantes. A partir daí, as reduções passam a ter maior estabilidade.

Século XVII (meados–final)
Consolidação e reconhecimento

As reduções tornam-se uma experiência única no mundo colonial, chamando atenção pela sua organização social e cultural.

1750
Guerra Guaranítica

Povos guaranis resistem à expulsão de suas terras. O conflito resulta em grande perda de vidas e no enfraquecimento das missões.

1756
Expulsão dos jesuítas

A expulsão dos jesuítas marca o fim do sistema missioneiro como era conhecido. As reduções entram em declínio.

1768
Desintegração das Missões

Neste período, muitas comunidades se dispersam. Parte do patrimônio é abandonada ou destruída.

1844
Redescoberta histórica e cultural

As ruínas e a história das missões passam a ser valorizadas como patrimônio cultural e objeto de estudo.

1936
Reconhecimento internacional

As ruínas de São Miguel das Missões recebem o título de Patrimônio Mundial da UNESCO, destacando a importância global desse legado.

2020
400 anos das Missões Jesuíticas Guarani
  • Celebração do legado histórico, cultural e espiritual das missões, convidando à reflexão sobre seu significado no presente.
  • 90 anos do Santuário Diocesano de Caaró, em Caibaté (RS), dedicado aos três mártires jesuítas: Roque Gonzales de Santa Cruz, Afonso Rodrigues e João de Castilhos.

ESPECIAL

Oração para o

IV Centenário
das Missões

Jesuítico-Guarani

No contexto das celebrações pelos 400 anos da chegada dos Missionários Jesuítas ao Rio Grande do Sul, que serão comemorados em 2026, o Pe. Antônio Anderson Rabêlo, SJ, compôs uma oração especial, aprovada por dom Liro Vendelino Meurer, bispo da Diocese de Santo Ângelo (RS), e pela Comissão Diocesana dos 400 anos.

Essa prece recorda o legado de evangelização, fé e testemunho dos Santos Mártires das Missões — Roque Gonzales, Afonso Rodrigues e João de Castilho — e nos convida a viver este Ano Jubilar como uma Igreja em saída, sinodal e missionária.

Ó Deus, Pai Criador, nós Vos damos graças pela celebração do IV Centenário das Missões Jesuítico-Guarani, marco inicial da evangelização em nossas terras. 

Ó Deus, Filho Redentor, concedei-nos a graça de sermos acolhidos sob a Vossa bandeira, a exemplo dos Santos Mártires das Missões: Roque, Afonso e João. 

Ó Deus, Espírito Santo Consolador, animai-nos na missão de seguir fielmente e testemunhar com alegria o Evangelho de Cristo. 

Que a Virgem Conquistadora interceda por nós, para que este Ano Jubilar nos inspire na missão de sermos cada vez mais uma Igreja em saída e sinodal.

Amém.

Programação 2026

Eventos

e Celebrações

Memorial Jesuíta Unisinos

Quando
22 de abril de 2026 – 29 de maio de 2026    
Onde
Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos
Porto Alegre – RS

Exposição do projeto TAPE

Quando
22 de maio de 2026       
Onde
Fundação Ecarta
Av. João Pessoa, 943 – Farroupilha | Porto Alegre – RS

9° Moto Romaria ao Santuário do Caaró

Quando
01 de maio de 2026       
Onde
Caibaté – RS

Missa em Ação de Graças

Quando
4 de maio de 2026  às 18h30  
Onde
Colégio Anchieta – Igreja da Ressurreição
Porto Alegre – RS

Vídeos

Como ocorreu a formação das reduções jesuíticas no RS

No primeiro episódio da temporada do programa Aconteceu no RS, dedicada aos 400 anos das Missões, o podcast produzido pela GZH traz o pesquisador, escritor e professor José Roberto de Oliveira, que conta como aconteceu a fundação da redução de São Nicolau, a primeira das 18 formadas na primeira fase das Missões no atual território gaúcho.

Oferecimento: Colégio Anchieta e Unisinos

Ficha técnica
Produção e edição: Lucas Vieir
Operação: Guilherme Medeiros e Leandro Mocca
Artes e vinheta: Laura Melchior
Supervisão: Rafael Manito e Fernando Salvador 
Coordenação: Larissa Guerra

Santos mártires do RS: jesuítas que deram a vida pelas Missões

No terceiro episódio da temporada do programa Aconteceu no RS, dedicada aos 400 anos das Missões, o podcast produzido pela GZH traz o reitor do Santuário do Caaró e pároco da Paróquia Todos os Santos, Pe. Anderson Rabêlo, SJ, que detalha a trajetória da Companhia de Jesus e o impacto do martírio dos primeiros missionários.

Oferecimento: Colégio Anchieta e Unisinos

Ficha técnica:
Produção e edição: Lucas Vieira
Operação: Leandro Mocca
Artes e vinheta: Laura Melchior
Supervisão: Rafael Manito e Fernando Salvador
Coordenação: Larissa Guerra

TV Aparecida recorda os 400 anos das Missões Jesuítico-Guarani

Em entrevista ao programa Aparecida Interessa ao Brasil, da TV Aparecida, a apresentadora Gabriele Dutra conversa com o Pe. Anderson Rabelo, SJ, sobre os 400 anos das Missões Jesuítico-Guarani, celebrados em 2026.

 

O jesuíta recorda o início dessa presença missionária, em 1626, com São Roque González e seus companheiros, e destaca o sentido das reduções: espaços de evangelização, organização comunitária e também de proteção dos povos indígenas diante da violência da época.

Programação 2026

Curiosidades

e Mitos

As missões foram apenas um projeto de catequese?

Não. As missões jesuítico-guarani foram mais do que um projeto de catequese. Elas constituíram uma proposta de organização social, cultural e espiritual que integrava evangelização, educação, trabalho comunitário, defesa dos povos indígenas e expressão artística. A fé cristã era central, mas articulada à vida cotidiana e à valorização de elementos da cultura guarani. Assim, as missões buscavam formar comunidades autônomas e estruturadas, e não apenas converter indivíduos.

Como funcionava a convivência cultural?

A convivência cultural nas missões se baseava no diálogo e na adaptação. Elementos da cultura guarani, como a língua, formas de organização comunitária e práticas cotidianas, eram integrados à vida nas reduções junto à vivência cristã. Esse encontro resultou em expressões próprias, especialmente na música, na arte e na organização social das comunidades missioneiras.

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